dos monstros que vivem em meu quarto

 

O raio, que atravessa as frestas da janela,

recai sobre a pele daqueles que desfalecem ao meu lado.

Tão intensos, podia senti-los em meu âmago.

Por ora, frívolos, derrotados.

 

Toda alvorada é reinício, penso.

 

Contudo, o crepúsculo é iminente.

Eis que nele a ecdise se consuma.

Voltam, então, sedentos a me assombrar.

São a companhia infortuna que levo à cama

e a peleja que travo noite após noite.

 

Mas, afinal, toda alvorada é reinício, eu repito.

 

tiger

nadar

imerso na volúpia,

é mais um a caminhar na sarjeta,

indigente.

buscando, na luxúria,

este amor fulgente,

De estórias.

de onde muitos partiram

sem glórias.

inconcebível e

de débil procura.

há de garantir

à mil homens, loucura.

 

de sagas, odisseias vorazes,

a jornada intransferível

de uma vida por se findar.

 

o nada, o existir,

o se afogar.

E nós já estamos em Maio

Naquele sábado-acaso,
eu reencontrei o meu mártir.
Eu lembrei daquele mês de junho,
quando eu vi você partir.

É você, amor?
Eu já não sei te reconhecer.
Teus olhos ainda me tremem as mãos,
mas eles mudaram a cor.

Você ainda me aparece como meu suspiro escondido de humanidade.
Como o impulso de procurar a compaixão
onde só há mais um lugar vazio.
Onde eu me perco,
E me acho só.
Os mesmo lamentos que já sei de cor.

É você, amor.
Em outro corpo.

Mas com o mesmo estrago.

 

Falta de Humanidade

 

 

Me privo da humanidade,

daquela dos olhos a desandar,

daquela angustiada,

perdida ou achada.

 

Coração a nitrogênio,

congelado,

intocável até,

sem fardos.

 

É uma crise constante,

de uma existência sem ambição,

sem sentimento.

Pautada apenas na frustração.

 

Hora ou outra,

me pego pensando na vida.

Sou uma herege da filosofia,

perdida na própria mente,

achada na poesia.