nadar

imerso na volúpia,

é mais um a caminhar na sarjeta,

indigente.

buscando, na luxúria,

este amor fulgente,

De estórias.

de onde muitos partiram

sem glórias.

inconcebível e

de débil procura.

há de garantir

à mil homens, loucura.

 

de sagas, odisseias vorazes,

a jornada intransferível

de uma vida por se findar.

 

o nada, o existir,

o se afogar.

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Embaço

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Cismo naquele segundo,
Onde o tempo pareceu infinito,
Na lembrança que rebobino,
Embaçada.

Que teu beijo cálido,
Salva da hipotermia,
Esse peito em gelo,
Que por amor tremia.

Fujo da nitidez das emoções,
Torno o copo.
Torno-me.
Mais um gole.

Uma fuga de mim,
Do fracasso em me sentir,
Do receio ao real,
Me prefiro ilusão.

No meu sentimento tácito,
Sou quem prefere poesia
Sobre o inalcançável.

La Terre de la Solitude

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Em terras banhadas de ilusões.
Onde felicidade não se via.
Onde o álcool camufla,
O que o fumo não alivia.

Diante do peso de ser humano.
E do pudor de mostrar-me um.
De medo, me privo,
Em terras mortas,
De ser dado como vivo.

Tenho a aflição de ser poeta,
Onde poesia não é amor.
Onde os versos já vazios
Apenas rimam a dor.

Apenas existindo,
Nessa terra de desventurados,
Na ausência de amor,
a que fomos todos condenados.

Sou a alma que vaga sozinha
Entre 8 bilhões.
Sou matéria que apenas era.
Que jaz, se decompõe.

Sou a juventude
A flor da idade
Que já perdeu pro mundo
Toda sua humanidade.

Sobre você, borboletas e exageros.

Você me tocou
Onde alguns temem ser tocados.
Onde se transparece o ser
E onde se planta o será.
Onde a esperança nasce
No dilatar das minhas pupilas
E na minha arritmia tola.
Você se fincou
Onde se oscila,
ao vento suave,
As borboletas que me habitam
Você é meu sopro de humanidade
Que me faz levitar
Entre o mundo real
E o onde-eu-quero-estar.

Você floresce as pequenas incertezas que guardo dentro de mim
E as poucas magoas que ainda não esqueci.
Você é o meu anseio futuro,
O prazer
Do qual hoje ainda me furto.

Você gira meu mundo.
É você quem pulsa nas minhas veias
De segundo em segundo.

E nós já estamos em Maio

Naquele sábado-acaso,
eu reencontrei o meu mártir.
Eu lembrei daquele mês de junho,
quando eu vi você partir.

É você, amor?
Eu já não sei te reconhecer.
Teus olhos ainda me tremem as mãos,
mas eles mudaram a cor.

Você ainda me aparece como meu suspiro escondido de humanidade.
Como o impulso de procurar a compaixão
onde só há mais um lugar vazio.
Onde eu me perco,
E me acho só.
Os mesmo lamentos que já sei de cor.

É você, amor.
Em outro corpo.

Mas com o mesmo estrago.

 

Você nunca aconteceu, mas espero que aconteça.

(19) Tumblr

Você é a perfeição que dilata as pupilas.
Que aquece o peito.
Você é um olhar azul no preto.

Você é o olhar que cruza o meu, que penetra a alma.
É você, unicamente, que me arranca a calma.
Você me faz existir.
É você quem me prende as noites
E não me deixar ir.

Você nunca esteve aqui.
Nem nunca vai estar.

Você me faz artista.
É minha doce distorção da realidade.
É o sentimento que morreu em mim.
A luz que entra pela janela e anuncia o fim.

Eu te criei
Dentro do meu egoísmo.
Você é fruto da minha solidão.
O que me alimenta os vícios.
É o que minha inexistência rege.
A cor que tira meu coração do bege.

Te fiz meu ideal.
E de olhos fechados,
Você é tudo…

Menos real.