no final do caminho há sempre um espelho

 

Os estalos no céu anunciavam o púbere ano.

Na embriaguez egoísta,

o verde não custou a apodrecer.

Alguns vícios, afinal, negam sua obsolência.

 

Quatro paredes a separam de um juízo,

mas a tornam refém de sua complacência.

Das escolhas passionais, ela sabia,

não se espera menos que um arrependimento.

 

dos monstros que vivem em meu quarto

 

O raio, que atravessa as frestas da janela,

recai sobre a pele daqueles que desfalecem ao meu lado.

Tão intensos, podia senti-los em meu âmago.

Por ora, frívolos, derrotados.

 

Toda alvorada é reinício, penso.

 

Contudo, o crepúsculo é iminente.

Eis que nele a ecdise se consuma.

Voltam, então, sedentos a me assombrar.

São a companhia infortuna que levo à cama

e a peleja que travo noite após noite.

 

Mas, afinal, toda alvorada é reinício, eu repito.

 

tiger

nadar

imerso na volúpia,

é mais um a caminhar na sarjeta,

indigente.

buscando, na luxúria,

este amor fulgente,

De estórias.

de onde muitos partiram

sem glórias.

inconcebível e

de débil procura.

há de garantir

à mil homens, loucura.

 

de sagas, odisseias vorazes,

a jornada intransferível

de uma vida por se findar.

 

o nada, o existir,

o se afogar.

Vie

3 semanas que se seguem,

algumas cervejas, alguns cigarros.

Recobrar consciência é meu lamento diário.

 

A ilusão de quem olha pela janela,

esperando o céu cair violentamente,

explodir a ponto de gerar alguma emoção.

 

São 21 dias, inerte,

procurando sentido além da rotina.

Casa, trabalho, casa.

Quando tudo que se quer é querer algo.

É ter um alvo.

 

A vida é sádica,

ela te faz apreciar as estrelas distantes,

e te rouba os instantes.

Em frente a janela,

é ela que te desprende a mente.

Que quando a cinza do cigarro cai ao chão,

sente-se um alivio.

Viver só é bom na ilusão.

 

E, de olhos fechados,

eu dou mais um trago,

sou só mais uma de coração vago.