no final do caminho há sempre um espelho

 

Os estalos no céu anunciavam o púbere ano.

Na embriaguez egoísta,

o verde não custou a apodrecer.

Alguns vícios, afinal, negam sua obsolência.

 

Quatro paredes a separam de um juízo,

mas a tornam refém de sua complacência.

Das escolhas passionais, ela sabia,

não se espera menos que um arrependimento.

 

Embaço

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Cismo naquele segundo,
Onde o tempo pareceu infinito,
Na lembrança que rebobino,
Embaçada.

Que teu beijo cálido,
Salva da hipotermia,
Esse peito em gelo,
Que por amor tremia.

Fujo da nitidez das emoções,
Torno o copo.
Torno-me.
Mais um gole.

Uma fuga de mim,
Do fracasso em me sentir,
Do receio ao real,
Me prefiro ilusão.

No meu sentimento tácito,
Sou quem prefere poesia
Sobre o inalcançável.

(vide)

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A garota da esquina
Debocha da humanidade.
Ela encontrou, sozinha,
A felicidade.

Em seu sereno balanço,
A rede em seu vai e vem.
Ela se conforta diante da solidão,
Que ja a faz tão bem.

Ela aprendeu a viver em paz.
Com ou sem
As pessoas que a vida traz.

Ela abraça o invisível,
não se prendendo a realidade.
Ela é feliz, sem nome,
Sem identidade.

Porcelana e adubo

Vaso vazio,
Que de flores belas foi lar.
Flores estas que ele deixou a esmo,
Pro tempo levar.

Vaso, na janela,
Vê o mundo passar.
De existência já descrente.
Não vê a hora de se acabar.

Seus cacos se espalham,
Depois de fatal acidente.
Onde o adubo acoberta o chão.
Ele é a terra jogada
Sobre o próprio caixão.

Vaso oco,
que na vida já não insiste.
Dor só é ruim,
Pra quem existe.