no final do caminho há sempre um espelho

 

Os estalos no céu anunciavam o púbere ano.

Na embriaguez egoísta,

o verde não custou a apodrecer.

Alguns vícios, afinal, negam sua obsolência.

 

Quatro paredes a separam de um juízo,

mas a tornam refém de sua complacência.

Das escolhas passionais, ela sabia,

não se espera menos que um arrependimento.

 

dos monstros que vivem em meu quarto

 

O raio, que atravessa as frestas da janela,

recai sobre a pele daqueles que desfalecem ao meu lado.

Tão intensos, podia senti-los em meu âmago.

Por ora, frívolos, derrotados.

 

Toda alvorada é reinício, penso.

 

Contudo, o crepúsculo é iminente.

Eis que nele a ecdise se consuma.

Voltam, então, sedentos a me assombrar.

São a companhia infortuna que levo à cama

e a peleja que travo noite após noite.

 

Mas, afinal, toda alvorada é reinício, eu repito.

 

tiger

nadar

imerso na volúpia,

é mais um a caminhar na sarjeta,

indigente.

buscando, na luxúria,

este amor fulgente,

De estórias.

de onde muitos partiram

sem glórias.

inconcebível e

de débil procura.

há de garantir

à mil homens, loucura.

 

de sagas, odisseias vorazes,

a jornada intransferível

de uma vida por se findar.

 

o nada, o existir,

o se afogar.

Embaço

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Cismo naquele segundo,
Onde o tempo pareceu infinito,
Na lembrança que rebobino,
Embaçada.

Que teu beijo cálido,
Salva da hipotermia,
Esse peito em gelo,
Que por amor tremia.

Fujo da nitidez das emoções,
Torno o copo.
Torno-me.
Mais um gole.

Uma fuga de mim,
Do fracasso em me sentir,
Do receio ao real,
Me prefiro ilusão.

No meu sentimento tácito,
Sou quem prefere poesia
Sobre o inalcançável.

(vide)

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A garota da esquina
Debocha da humanidade.
Ela encontrou, sozinha,
A felicidade.

Em seu sereno balanço,
A rede em seu vai e vem.
Ela se conforta diante da solidão,
Que ja a faz tão bem.

Ela aprendeu a viver em paz.
Com ou sem
As pessoas que a vida traz.

Ela abraça o invisível,
não se prendendo a realidade.
Ela é feliz, sem nome,
Sem identidade.