o corpo flutuante

 

O telespectador despersonificado,

jaz como a matéria humana que é.

Poupado do dessabor do perecimento,

transfere aos outros,

as memórias da lucidez.

 

Estes a guardam,

com o apego da esperança.

Contagiada, faço de mim

vítima tal

desta cruel quimera.

 

No balançar da cadeira, estridente,

o corpo se move, absorto.

Ele apenas vê a beleza das cores que dançam,

pleno por não mais entendê-las.

 

 

Janela com janela

Essa inconsciência gritante,

vai me matar junto a Ela.

Me pisa feito um gigante.

Eu não sou louca,

eu me importo,

e eu choro.

 

Choro por Ela todos os dias.

Porque Ela nem sequer sabe pelo que chorar.

Ela foi poupada do sofrimento de todos nós.

Ela vê o arco-iris,

onde vemos um mar de lamentações.

Ela nem sabe o que fazemos, nem quem somos nós,

mas a Ela demos nossos corações.

 

Mas eu estou enlouquecendo.

Eu posso ouvir enquanto tento dormir.

É uma esquizofrenia real.

Um pedaço de mim

quer rasgar meu peito,

e sentir a calma.

Quer ouvir o silêncio.

 

Mas todos já se cansaram.

E eu me atrasei chorando.